Redial

  • Na ponta do pé, Joana tentava alcançar o orelhão e desequilibrando enfiou uma ficha telefônica dentro dele. Logo em seguida, correu os olhos sob o telelistas residencial e observou as opções de nomes masculinos. Por fim, escolheu o que julgava ser o mais agradável de pronunciar. “Mar-ce-lo”, falava pausadamente, como que se contasse um segredo. Segundos depois, atropelou-se na própria ansiedade e apertou os botões rapidamente. O telefone tocou na casa de Marcelo, que preparava bolinhos de chuva naquela quinta-feira nublada e atendeu com a mão empanada de farinha de trigo, açúcar e ovo.
  • “Alô!!”  – respondeu uma voz firme e triste. Joana, do outro lado da linha, sem entender o por que, sentiu o corpo formigando e suspirou. “Amar talvez seja isso”, deduziu ao desligar.
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