Em tempos de poesia

Eu tentei viver na ordem perfeita e calculada
de tinta permanente tingida no papel,
mas o destino trafega em vias sinuosas
e bombeia o sangue em rascunhos rasurados,
dizeres despidos de mensuração
soltos como passarinhos num fluxo de consciência.

Eu apertei o gatilho de canetas procurando a redenção,
mas os miolos caíram no papel
e as bolhas de tinta perguntaram:
”Procura calmaria?.
Escrever é tentar manter acordos de paz, em tempos de guerra.”

Eu encontrei os maltrapilhos do mundo
unidos pela folha de papel,
dispondo suas fraquezas em versos
e cortando-as lentamente
em pedaços grandes e pequenos
na busca do dispositivo que a desligava.
Mas, nenhuma tentativa de costurar confortos
foi possível em tempos de poesia.

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