Confissões do asfalto

No fim da noite,
quando as ruas
estão vazias
e as camas
abarrotadas de
corpos moles,
gosto de ouvir
o barulho dos
meus passos
ressoando sobre
as extensões
do concreto
e busco decifrar
o que me dizem.

O solo emite
timbres de vozes
agudas e fracas
toda vez ao ser
rapidamente pressionado
e segredos são declamados
pela arquitetura da cidade.
Crimes,
desamores,
conflitos
de carne e osso
impressos por solas
de sapatos
sendo confessados
sem o maior pudor
numa catarse coletiva.

Os postes,
com olhares reprobatórios,
espiam de soslaio
e ensaiam quedas
para silenciar assembleias,
num código moral
quase que santificado
de que as metrópoles
jamais devem
entregar os seus pontos.

 

 

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