Uma maleta cheia de livros. Um coração vazio.

Homens e mulheres
andando diante da escuridão
dos comércios fechados,
apertando firme
os passos pra não chorar,
pra desatar os nós do desespero
em algum ponto geográfico
onde haja solidão e corredores
de paredes iluminadas
por luzes cambaleantes
para caminhar enquanto explodem
fogos de artifícios lacrimais.

Correndo,
correndo com as solas desbotadas,
pensando a 170 pensamentos por segundos,
zunindo num doído cérebro workaholic
viciado em trabalhar
dando saltos cognitivos que brilham

-POFT-

explodem

-POFT-

iluminam a mil por hora
galpões mentais obscurecidos.

Uma maleta cheia de livros
na mão vacilante,
com todos os parágrafos
de tudo o que salvou
salvou e ainda salvará.
Centenas de milhões,
bilhões de corações vazios
estirados nas cadeiras de plástico
injetando baratos etílicos
de tudo o que não foi,
de tudo o que será
no agora e amanhã
não restará.

Santos! Santos! Santos!
Santos! Santos! Santos!
Ginsberg!
Walt Whitman!
Ferlinghetti!
Creio em um só Neal Cassady todo poderoso
criador do céu de Denver e da terra,
e em Kerouac,
seu único filho consolador dos esfarrapados,
das almas angelicais padecendo por respirar

– postas na travessa
da vida,
prontas para
serem mastigadas –

dos Hipsters dançando
ao ritmo frenético
da máquina de escrever
em quartos iluminados
pela fagulha do abajur,
estudando poesias,
procurando transmutá-las em redenção
assim como alquimistas
buscando a fórmula da pedra filosofal.

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