Conversas surrealistas – Da série: daguerreótipo do pensamento das coisas.

– Veja bem!

– Que?

– Peço que veja bem!.

– Vejo bem!. O que é ver bem, senão enxergar?.

– Fertilizar olhares estéreis.

– Olhar estéril?. O que é isso.

– Olhar com funcionalidade restrita. Eu to olhando tua camisa rosa salmão, o raio de sol batendo no teu cabelo cacheado e a xícara de chá repousando entre seus dedos, mas caramba, será que é só isso?. Deduzo que não!.

– Só isso o que?.

– Só o que consigo tirar da visão. Será que teu cabelo pode me dizer alguma coisa?.

– Cabelos não falam, não inventa moda, cara!

– Falam nesse exato momento, mas sua insensibilidade espanta o moleque, não amordaça a boca dele.

– Por isso que você fica nem um paspalho, parado, num transe inexplicável?. Por querer ouvir o que as coisas dizem?.

– Claro!. Igualmente quero um daguerreótipo do pensamento das coisas, só que tirado com os olhos e sem banho de prata, entende?.

– Talvez! Mas é impossível, não acha?. Quem sabe não seja melhor se contentar com a faculdade de lembrar?.

– A cachola engana, amigo, e os papeis um dia morrem, esfarelam como pedaços de pães quando menos esperamos.

– Não acredito que participarei de uma tolice dessas, mas vai em frente, converse com o meu cabelo. Sabia que a lenda popular diz: ‘’os cachos pretos são mais comunicativos que os loiros”?. Nunca levei fé, quem sabe seja mentira, não é?.

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