Santa solidão

Fugir,
esconder-se
entre diálogos oculares
com o grande senhor
flutuante nada,
batidas de canhões gramaticais,
feixes de solidão
criados por mentes lânguidas
numa torrente amarga
indisciplinada –
não será o último,
não seremos os últimos,
só seremos a continuação
do que não fomos ontem
instantes após
o fracasso iminente.
Só queríamos desesperadamente ser

caligrafias semi-apagadas
na nota fiscal

eremitas urbanos,
encontrando-se somente
com analistas
de canas de açúcar celestiais
nas sarjetas mal encaradas
de beira de estradas –

O silêncio que definha
entre o falatório geral
o silêncio enterrado
entre vozes e bocas ávidas
por se movimentar,
revolvendo o mundo
num desconexo caos
de discursos longos
curtos
amontoados frasais
que tornam as vidas
rasteiras e pequenas.

”Solidão
”Silêncio”,
as colheres pesadas
de açúcar pedem,
conforme enterram-se sumariamente
dentro da xícara de café.
”Solidão”
o vento prossegue
no sacudir marítimo
dos cabelos cheirando
a shampoo caro
das meninas
de sorrisos periféricos
com poemas de Hart Crane
e Ezra Pound nas mãos.
”Solidão”
as garotas
e garotos pedem
enquanto fecham
as portas das suas
cavernas de tijolo

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