Das lágrimas caídas

Ela fechou a janela
juntamente com a cortina,
reclinou o copo de chá no colo
e dobrou as pernas
em formato circunflexo,
aproximando a porcelana quente do corpo.

Chorou.
Chorou
como se chora na primeira vez:
saindo da superfície
e mergulhando sem pudor.
Chorou sem ser sequer baixinho:
a saída das lágrimas
mais pareciam
paridas num parto normal.

Chovia lá fora,
os trovões deslocavam
mobilhas dos lugares
e ela podia visualizar
as cabeças feitas da noite
chorando consigo,
exiladas em seus aposentos,
tragando segundo após segundo
dos únicos instantes
em que os choros
seriam abafados piedosamente
pela mãe natureza.

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