Só me resta admirar as saias de tafetá azul

Vi o tecido do mundo brilhando
enquanto girava tonta                              em volta da barra da saia do céu.

Queria enxergar o seu semblante
e o infinito de órgãos escondidos lá em  cima.

Pobre alma a minha,                                só avistava os pés
e a saia de tafetá azul estremecendo
sob as estrelas.

Conversei com senhoras em uma       mercearia
e perguntei se tinham visto alguma vez
algo além da reluzente saia de tafetá azul.

Elas riram,
riram de rolar no chão
e disseram em coro:                              “Olhe para a flor,
é onde localizam-se os olhos”.

“Aqui não tem flor” – respondi desconcertada.

“Então, olhe para as montanhas” – sorriram

“Como?. Só vejo uma padaria fechada.” – retruquei nervosamente.

“Na árvore pode-se ver o nariz
e ouvir a respiração” – finalizaram
enquanto fechavam as portas da loja.

Pedi para elas ficarem mais um pouco.
Pedido negado.

Não havia mais nada a ser feito,
meu coração doía e suava a cântaros.
Chorei um pouco antes delas irem embora,
engoli um gole de cachaça
e peguei o primeiro ônibus que apareceu.

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