Dezoito de fevereiro

Há certas ocasiões em que sinto muito.
sinto incessantemente,
um sentir desnorteado que interrompe noites de sono,
jogando as emoções em cadeiras de rodas,
e angustiada não sei como lidar com o modus operandi da frustração.

Eu sento no quintal,
ponho fumaça pra dentro dos pulmões
e olho as sensaçõeslutando esgrima,
e desejo bem lá no fundo
dos destroços do meu peito fedendo a fumaça
e palavras inomináveis
uma vontade sobre-humana de leiloar
a capacidade de nutrir estima.

Eu sento repetidas vezes
em todas as noites chuvosas, quentes ou estreladas
e de dedos cruzados
torço pra que Hipócrates seja amaldiçoado.
Maldito por ter elucidado
que os sentimentos não vem do acaso:
as reações químicas do cérebro
que me deixam nesse infeliz descompasso.

E penso no peso
do estorvo da memória
que lateja lembranças inflamáveis,
por vezes reanimando
uma cabeça que sabe manejar versos,
não afetos.

E tento rir das preocupações
e banalidades sistematicamente cultivadas,
porque fazem-se pungentes, humanas,
um banho de profunda fragilidade,
embora genuína existência.

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