Quero me sentir inteira antes da noite acabar . . .

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A poesia salva? Quando você está prestes a pirar, descalço, sem dignidade, sem controle, ela segura o volante esferográfico e arruma a bagunça interna?. A lâmina te corta por dentro e o sangue escorre descontroladamente, como água vazando após estouro de hidrante, mas as palavras vão fazer sutura dessa ferida?.

O copo caí no chão e se divide em milhares de fragmentos, cada unidade do que o forma como ente material se separa, e por fim só sobram estilhaços do que antes era um objeto inteiro. Sou o copo quebrado no chão.

Os estilhaços me machucam, fecho os olhos pra minimizar a experiência dolorosa de sentir a mente rasgando. É tão profundo o corte,  não é nem ao menos aquele corte superficial, ele vai na raiz de tudo o que me deixa sem ar e ilhada.

Quero ser um copo inteiro antes dessa noite acabar, antes mesmo das praças ficarem vazias e as estradas silenciosas. Um copo sem um pedaço sequer dele faltando. Quero que a poesia me salve, porque a única forma que consigo me realizar e me constituir enquanto ser é escrevendo, mas me enganei completamente ao acreditar que isto iria aliviar por completo minhas dores.

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