O semáforo e as estrelas,
talvez só isso sobrou dentro da minha cabeça.
Um desajuste ocular que só me permite encarar
o que está acima da minha cabeça.
Seguro o sono enquanto o ruído do chinelo machuca os ouvidos
e fazem com que minhas pernas se mexam tão rápido,
numa melancolia faminta de um corpo que quer fugir de si mesmo
e fazer-se desfecho
que o mistério da existência ainda não finda.

O semáforo e as estrelas,
talvez só nisso eu veja beleza
quando estico o pescoço ao esperar o sinal abrir
e espio timidamente o número de mágica que a migalha do céu apresenta,
mas jamais ousa ensinar seus truques,
jamais pretende contar seus desígnios,
se é que exista.
Oras, pois me calo e assisto,
numa contemplação adormecida,
e penso nos mecanismos que compõem o belo,
o cômico,
o trágico,
o enfadonho,
mesmo sabendo que não há,
mesmo sabendo que definho no jogo de conceitos.

O semáforo e as estrelas,
talvez só isso,
talvez só nisso
quanto estico e me deparo,
quando não findo
e me calo
o silêncio de cortinas fechadas.

Semáforo

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