O tempo só complica.
O conceito.
O aguardo.
A paz que não se estabiliza no paliativo,
no engano da mente
que faz morada no inconsciente coletivo
Então, segura a rédea,
escuta o papel,
com ele não tem ficção
é relato intimista
conflito que se materializa em palavra.
Nas experiências vividas no solo,
ninguém estava.
Só teus olhos,
tua mente,
teu sentido capta.

E o que fazer?
Pegar a máquina de escrever e dizer,
golpear.
E Bandini ri,
Arturo Bandini ri
ao ver os pássaros voarem a cada estalada na máquina.
Ele diz que existir é marretada na psique
e ninguém nunca saberá
ninguém nunca saberá qual será a carta que tem na sua manga
ou nos bolsos da tua blusa que segura isqueiro, fumo e caneta.

Por que de vício não basta um,
tem que ter mais algum
e fazer a mente decolar
enquanto bate na máquina de escrever de noite
com medo de alguém escutar o lamento audível.
Então, que se fodam as expectativas sociais
porque quero fazer barulho e datilografar
sem frescura de perturbar.
Não seguro a letra,
nem a fala
deixo ela rolar.

Manguezal com memórias alagadas
tentativas de esconder o emerso com lodo
luz
escuro
lembranças do absurdo
nada
escurece no velho mundo.

Cerveja
que não silencia,
só acorda.
Se revolta contra o luto,
enquanto a ampulheta
marca o passo das horas.
Memória
soma de todas as discórdias
que o copo calcula os acréscimos sem hesitar.

A4
que toda grafia incorrigível
errante
marginal
grita o casamento das dualidades:
caricatura da mente,
escreve
e só
sente medo
do coração não pulsar mais.

echoes_by_t_vieira