Um homem doente me olhava
me olhava.
Seus olhos emanavam vazio
um vazio com cheiro de esperteza.
Ele estava lá,
eu também.
Por motivos absolutamente diferentes.
Mas estávamos no mesmo barco.
E embriagados de lucidez.
Ele disse: ”Foi injusto te colocarem aqui”
Talvez fosse.
Talvez fosse.
Talvez não fosse.
Talvez não fosse.
Os remédios,
a cama contra a porta,
a inexorável dor que unia todos nós
num único lugar.
Os tristes fatos.
Um homem doente me olhava
e me dava o seu telefone,
num apelo suplicante.
Talvez um dia ele também estivesse fora daquela roubada
e sua irmã pudesse ajudá-lo.
Mas não,
não poderia.
Só ele mesmo poderia se ajudar.
Cada um suporta seu fardo.
Ou não.
Ou não.
Essas rasteiras são fundamentais,
diziam.
Pra aprender qualquer coisa.
Qualquer coisa.
Por motivos absolutamente diferentes.
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