Olivetti Lettera 35

 

No passar das horas,
meu peito sufocado pergunta-me se existo.

O corpo agoniza na avenida.
O padeiro faz o pão.
A criança almoça na lixeira.
A senhora tomba na rua.

No compasso dos dias,
meu corpo é poesia e meus pés escrevem no solo.

Um par de olhos é um livro.
Experienciar o impossível.
Relatar o impreciso.

No passar dos anos,
desconheço-me cada vez mais.
Estou prestes a nascer.

As moedas tilintam ao cair no chão.
Sinto ânsia de vômito quando engulo comprimidos.
A noite tem sabor de algodão.

Meu pulmão está cheio de palavras
e quando aprendo a respirar as ponho no papel.

Aprender a respirar.
Parada cardíaca para ressignificar.
Respirar sem pretensão.

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