A calmaria

 

A inquietude
é o silêncio
de um dedo mordido.

A alma afrouxa
o cinto
por estar tão pesada.

Os dedos mordidos
no esparadrapo:
síntese de conflitos.

Mais cadernos e canetas,
menos açúcar.

O sonambulismo
da incerteza.
O azar joga baralho comigo.
Queria ter plantas em casa.

O pensar demasiado.
A tremedeira no corpo.
A desconexão da realidade.

A inquietude
são fotografias mentais
de momentos já vividos.

Visto um casaco verde
com corações rosas.
Conversar consigo mesmo
é sinônimo de criatividade.
Há pessoas tão profundas              quanto uma colher.

Nessa noite,
declaro:
não irei pensar,
nem sequer
por um instante.

As nossas energias
emanam vibrações
para o universo
e ele nos devolve.

A inquietude
é um sujeito
uma mulher
uma árvore morrendo
uma panela
de arroz queimado
na entranha do existir

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