Stelazine

Minhas entranhas queimam feito água potável.
Um alfabeto preso em cada acontecimento.
O poderia ter sido sangue escarlate.

Maconha.
Meditação.
Chá de camomila.
Rivotril.
Ativar os chakras.

Nada adiantou

Os seres inanimados gemem toda vez que perco a irmandade com as coisas.

Bukowski.
John Frusciante.
Jack Kerouac.
Cerveja.
Hunter S Thompson.
Transtorno afetivo bipolar.

Nada me libertou.

Estou intoxicada.
Um playground dentro da minha cabeça.
A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e a cada 3 segundos, uma pessoa tenta.

Escrever poema ou tomar uma caixa de anti-psicótico?.
Sigo escrevendo.
Que seja!

Os livros na estante não me deram respostas,
os bares me enganaram
e as sensações destruíram meu senso de sobrevivência.

Eu quero morrer na selva igual o Alex Supertramp.

Que seja pelo sentimento.
Que seja pela fragilidade incompreendida.
Que seja pelo sarcasmo das incertezas.

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Ode ao remorso
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É um querer que arde. Borbulha no ouvido. 2 UN 3,00 6,00
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Quando escuto Gudicarmas me imagino comendo algodão doce numa praça enquanto o vento toca o meu rosto. 2 UN 3,00 6,00
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A nuvem chora comigo.
A natureza percebe quando um corpo sofre físico e moralmente
e automaticamente se compadece com essa dor.
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O vendedor de pipoca me entenderia,
e me apresentaria a sutileza das pérolas para me fazer resistir.
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Por vezes, não raro,
masco felicidades inventadas e leio Eucanaã Ferraz.
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Minha saliva é carnaval e o bater do meu coração é uma marchinha.
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Os barcos naufragam na pilha de nervos

Há um azedume de lágrimas e suor
em cada raio de sol batendo no meu rosto.
O padecimento não será meu afrodisíaco.

Eu não gosto de brinquedos quebrados.

Brinquedos quebrados não mostram seus mecanismos,
não mostram que estão quebrados.

Cada bolha de tinta impressa no papel é um universo.
Cada bolha de tinta impressa no papel é uma derrota.

Eu quero fechar os olhos e escutar o que o silêncio tem a dizer.

O telhado faz meu olho marejar.
Um congestionamento de pipas no peito.
Objetos não têm sentimento.

O encontro de personas me fazem golfar.

Cada milímetro do corpo fedendo a desgraça
e enfeitiça com a representação.

Um copo de cachaça é mais íntegro.
Um copo de cachaça demonstra seu desígnio.

Eu não gosto de brinquedos quebrados.
Eles não são reais.

A paisagem e suas emboscadas

As janelas de ônibus são traiçoeiras.
Ocorre que, no silêncio da mente, surge a dualidade das paisagens,
e elas dizem muito.

A consciência colide com qualquer coisa inexata,
sem forma e conteúdo, que aparece sem avisar.
Existe também os acontecimentos concretos
que a falta de desatenção permite que se manifeste.

Lupa: Alter ego das janelas de ônibus.

Ora, me expandem.
Ora, me diminuem.

Desembaraçar os antagonismos.
Pisar em ovos.

Minhas pálpebras estremecem quando penso em você.

Eu queria ver mais do que os olhos podem mostrar.

Observar pra escutar atentamente.
Escutar pra enxergar com clareza.

Essa entidade, a paisagem,
é uma armadilha,
é um sol que cega os olhos,
é um punhal que mastiga a pele.

Paisagem é coletivo de inseguranças.

Meus ossos descansam perto do mar

Naquela noite eu quis estrangular as palavras.
Não queria dizer mais do que deveria ser dito,
e você entende o quanto isso mexe comigo.

Vamos destruir os dias e sorrir em cima da ruína,
eu quero ver tua boca pintada de vermelho
e teu corpo virado do avesso.

Eu estava contigo a distância e meus olhos tremiam.
Eu podia receber os teus sinais.
Vamos ao topo, suba comigo,
não pode ser tão ruim assim.

Eu vejo uma cor quando fecho os olhos.
Ela é verde.
Qual é sua cor preferida?.

Vamos destruir os dias e sorrir em cima da ruína,
eu quero ver tua boca pintada de vermelho
e seu corpo virado do avesso.

 

mar

Meditação sobre o passado e o nada

Sucede que,
toda vez que chove me ponho a pensar
e pensar é um choro sem lágrimas.

A tranquilidade das gotas caindo do céu,
me faz meditar.

Ruído de serenidade.

Qualquer trivialidade torna-se cativante nos dias de chuva.
A roupa no varal.
O mato assustado se mexendo com o toque do vento.
A antena parabólica.

Mas,
perco a razão ao pensar.
Entristece-me o pesar que ainda não conheci
e a todo momento sou atravessada,
sinto o fio da navalha.

Essa ferida fechada inaugura as dores que ainda não vivi.

Irei sentir.

Marlene

Ah, Marlene!
A doçura do teu olhar perturbado não me sai da memória.
Naqueles dias,
dividíamos as tristezas igual mendigos repartindo pães.

Ah, Marlene!
Os remédios me dopavam e eu só queria apagar,
mas você me tirava da cama para ver a luz do sol.

Irmã de derrotas.

Eu não sabia o que aquilo tudo significava,
nem o peso daquela estadia,
mas você sim.

Jamais esquecerei da partida.

As suas lágrimas,
você abreviando o adeus
enquanto deitava na cama
e se protegia com o cobertor,
me dizendo para ir embora logo.

Ah, Marlene!
O mundo é obtuso demais para nós,
em tempo algum compreenderiam a nossa sensibilidade.
Nós estamos em combustão,
eles não.

A nossa desesperança e medo
é o sangue deles,
é o que os mantêm vivos.

Mas, o teu sorriso vai pairar no céu
e a explosão do teu humor
será a música dos dias,
minha velha amiga.

Sequestro em Cleveland

Eu nunca discuto com os meus pensamentos
quando estou fora do ar,
apenas abaixo a cabeça e concordo.
A minha moléstia é delirar.

Isso tudo está sujo,
realmente imundo.
É a morada interior
e eu preciso limpar antes que escureça.

A morte adora se esfregar em mim,
como um corpo adora se esfregar na toalha,
após o banho.

Eu corro da morte,
e a morte corre atrás de mim.
Eu corro,
caio e me ralo toda.
Brincadeira de adulto.

Uma força irrompe dentro de mim,
toda vez que meus 21 gramas enfraquecem,
e não há nenhum segundo
que eu não lute pela vida.

Meu corpo mole
e esta essência desengonçada
e febril,
é o calendário dos meus dias,
mas eu conheço cada pedaço
da minha insensatez
e sei bem como sobreviver.

Nós podemos vencê-los, para todo o sempre.